A relação entre o mercado imobiliário e a subida das taxas de juro

Nos próximos trimestres, o ritmo de aumento dos preços deverá abrandar. A incerteza quanto ao futuro mostra os primeiros sinais de menor dinamismo da atividade dos setores da construção e imobiliário. É notória a forte queda do número de novos edifícios concluídos e licenciados, bem como um menor número de transações realizadas no segundo trimestre do ano. Julho e agosto reforçaram esses sinais, nomeadamente com o facto de os empresários estarem a adiar a tomada de decisão, com a queda de confiança dos investidores e com a contração das vendas do cimento (pela primeira vez desde o final de 2016). Registou-se ainda, nestes três últimos meses, uma forte queda do crédito habitação (novos empréstimos), também provocada pela subida acentuada dos custos de financiamento num quadro de forte restrição da política monetária, um fator que deverá penalizar a procura doméstica por habitações. Com o aumento do risco de uma recessão global, prevê-se ainda uma recessão na procura do mercado externo.  

Em suma, o cenário de desaceleração acentuada dos preços da habitação nos próximos trimestres configura-se cada vez mais como uma possibilidade.